O bebê infrator – Crônica de Otto Lara Resende

Não quero fazer julgamento precipitado, nem falar de cadeira, isto é, sentado com todo o conforto e longe da tragédia. Mas me pergunto em que é que mudou esse problema que já nem sei como chamar. Sei que foi massificado com a legião dos meninos de rua. Botar uma etiqueta num problema ajuda a esquecê-lo. … Ler mais

Velhos crimes, novo líder – Crônica de Otto Lara Resende

Erudito do supérfluo, é como classifico o José Octavio de Castro Neves. Ele sabe muita coisa boa e útil, mas sabe também o dispensável. Sabe que avião você deve tomar, numa viagem de Maceió a São Petersburgo, para se sentar do lado da sombra e da melhor paisagem, com a garantia de que será bem … Ler mais

O violão da inflação – Crônica de Otto Lara Resende

Eu não sabia que a inflação soluça. Gostei demais dessa novidade. Não é preciso entender do riscado para saber que a inflação, a nossa pelo menos, é indomável. Na campanha eleitoral, estava a um passo da morte. Um tiro só e pronto. A bicha caía morta, estatelada. Veio aquele trauma. De tão brutal, até achei … Ler mais

Volte, Zano – Crônica de Otto Lara Resende

Ontem reunimos o conselho familiar. Devemos ainda ter esperança? Firme, disse eu que sim. Não me conformo. Por um momento, vi nos olhos de todos aquela cintilação. Metade fé, metade alívio. Ninguém quer se sentir culpado. Claro que tem de voltar. A menina me perguntou se era palpite ou intuição. Se era intuição pra valer, … Ler mais

Não traiam o Machado – Crônica de Otto Lara Resende

Mais uma vez Machado de Assis no vestibular. Dois capítulos de Dom Casmurro, na prova de Português aí em São Paulo. Ao menos assim Machado vai sendo conhecido, ou imposto, entre a meninada. Se entendi bem as questões propostas e as resoluções que saíram no “Fovest 92”, a prova não apenas opta pela versão do … Ler mais

Palavras inventadas – Crônica de Otto Lara Resende

Se fosse no tempo do prof. Castro Lopes e se dependesse de sua vontade, lobismo e lobista jamais teriam licença de entrar na nossa língua. E muito menos no dicionário. Castro Lopes combatia sem trégua os partidários dos barbarismos. Em particular os galiciparlas recorriam ao francês, língua da moda. Caricaturado na peça O carioca, em … Ler mais

Vista cansada – Crônica de Otto Lara Resende

Acho que foi o Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Pela última ou pela primeira vez? Pela primeira vez foi outro escritor quem disse. Essa idéia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê que a … Ler mais