Vulcões – Poema da portuguesa Florbela Espanca

Tudo é frio e gelado. O gume dum punhalNão tem a lividez sinistra da montanhaQuando a noite a inunda dum manto sem igualDe neve branca e fria onde o luar se banha. No entanto que fogo, que lavas, a montanhaOculta no seu seio de lividez fatal!Tudo é quente lá dentro…e que paixão tamanhaA fria neve … Ler mais

A Tua Voz na Primavera – Poema da portuguesa Florbela Espanca

Manto de seda azul, o céu refleteQuanta alegria na minha alma vai!Tenho os meus lábios úmidos: tomaiA flor e o mel que a vida nos promete! Sinfonia de luz meu corpo não repeteO ritmo e a cor dum mesmo beijo… olhai!Iguala o sol que sempre às ondas cai,Sem que a visão dos poentes se complete! … Ler mais

Árvores do alentejo – Poema da portuguesa Florbela Espanca

Horas mortas… curvadas aos pés do Monte A planície é um brasido… e, torturadas, As árvores sangrentas, revoltadas, Gritam a Deus a bênção duma fonte! E quando, manhã alta, o sol postonte A oiro a giesta, a arder, pelas estradas, Esfíngicas, recortam desgrenhadas Os trágicos perfis no horizonte! Árvores! Corações, almas que choram, Almas iguais … Ler mais

A um moribundo – Poema da portuguesa Florbela Espanca

Não tenhas medo, não! Tranquilamente, Como adormece a noite pelo Outono, Fecha os teus olhos, simples, docemente, Como, à tarde, uma pomba que tem sono… A cabeça reclina levemente E os braços deixa-os ir ao abandono, Como tombam, arfando, ao sol poente, As asas de uma pomba que tem sono… O que há depois? Depois?…O … Ler mais

Crucificada – Poema da portuguesa Florbela Espanca

Amiga…noiva…irmã…o que quiseres! Por ti, todos os céus terão estrelas, Por teu amor, mendiga, hei-de merecê-las Ao beijar a esmola que me deres. Podes amar até outras mulheres! Hei-de compor, sonhar palavras belas, Lindos versos de dor só para elas, Para em lânguidas noites lhes dizeres! Crucificada em mim, sobre os meus braços, Hei-de poisar … Ler mais

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha – Poema da portuguesa Florbela Espanca

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha, A essa hora dos mágicos cansaços, Quando a noite de manso se avizinha, E me prendesses toda nos teus barcos… Quando me lembra: esse sabor que tinha A tua boca… o eco dos teus passos… O teu riso de fonte… os teus abraços… Os teus beijos… a tua … Ler mais