Missa do Galo – Conto de Lygia Fagundes Telles

By | 17/12/2021

(Variações sobre o mesmo tema)

Chegamos a ficar algum tempo — não posso dizer quanto — inteiramente catados.
Missa do Galo, MACHADO DE ASSIS

Encosto a cara na noite e vejo a casa antiga. Os móveis estão arrumados em círculo, favorecendo as conversas amenas, é uma sala de visitas. O canapé, peça maior. O espelho. A mesa redonda com o lampião aceso desenhando uma segunda mesa de luz dentro da outra.

Os quadros ingenuamente pretensiosos, não há afetação nos móveis mas os quadros têm aspirações de grandeza nas gravuras imponentes (rainhas?) entre pavões e escravos transbordando até o ouro purpurino das molduras. Volto ao canapé de curvas mansas, os braços abertos sugerindo cabelos desatados.

Espreguiçamentos. Mas as almofadas são exemplares, empertigadas no encosto da palhinha gasta. Na almofada menor está bordada uma guirlanda azul.

O mesmo desenho de guirlandas desbotadas no papel sépia de parede. A estante envidraçada, alguns livros e vagos objetos nas prateleiras penumbrosas. Deixo por último o jovem, há um jovem lendo dentro do círculo luminoso, os cotovelos fincados na mesa, a expressão risonha, deve estar num trecho divertido. Um jovem tão nítido. E tão distante, sei que não vou alcançá-lo embota esteja ali ao alcance, exposto sem mistério como o tapete. Ou como a ânfora de porcelana onde anjinhos pintados vão em diáfana fuga de mãos dadas. Também ele me foge, inatingível, ele e os outros. Sem alterei as superfícies tão inocentes como essa noite diante do que vai acontecer. E do que não vai acontecer — precisamente o que não acontece é que me inquieta. E excita, o céu tão claro de estrelas.

Não entendo — o jovem dirá quando lembrar o encontro e a conversa com a senhora que vai aparecer daqui a pouco. Não entende?

Quero entender por que ele não entende o que me parece transparente mas não estou tão segura assim dessa transparência. E então, o que vai acontecer? Mas não vai acontecer nada, seria o mesmo que esperar por um milagre. Espero enquanto pego aqui uma palavra, um gesto lá adiante — e se com as brasas amortecidas eu conseguir a fogueira? Não esquecer as veiazinhas azuladas na pele branquíssima dessa senhora, foi no instante em que ela apoiou o braço na mesa e a manga do roupão escorregou? Não esquecer o mínimo inseto de verão que atravessou a página do livro que o moço está lendo, um inseto menor ainda do que a letra Y na qual entrou para descansar, o jovem vai se lembrar desse pormenor. E do olhar que inesperadamente se concentrou inteiro nele, fechando- o: sentiu-se profundo através desse olhar. Refugiou-se no livro, no inseto. Para encará-la de novo já sem resistência, pronto, aqui estou. Mas não disse nada nessa pausa que ela interrompeu, a iniciativa nunca era dele.

As omissões. Os silêncios tão mais importantes— vertigens de altura nas quais se teria perdido, não fosse ela vir em auxílio, puxando-o pela mão. Se ao menos pudessem ficar falando enquanto — enquanto o quê? Falaram. Tirante os silêncios mais compridos, a conversa até que foi intensa desde a hora em que ela surgiu no fundo do corredor e veio com seu andar enjaulado, o roupão branco.

Magra, mas os seios altos como os da deusa da gravura, os cabelos num quase desalinho de travesseiro.

Deixou travesseiro e quarto numa disponibilidade sem espartilho, livre o corpo dentro do roupão que arrepanhou com muito empenho para que a barra não arrastasse, a outra mão fechando a cintura, hum, essas roupas para os interiores Ele afasta o livro e tenta disfarçar a emoção com uma cordialidade exagerada, oferece a cadeira, gesticula. Ela chega a tocar em sua mão.

Por favor, mais baixo, a mamãe pode acordar! sussurra. Ele abotoa o paletó, ajeita a gravata. Você está em ordem, eu é que vim perturbar, ela adverte com um sorriso cálido que ele não retribui, nem pode, enredado como está naqueles cabelos, massa sombria tão mal arrepanhada como as saias, ameaçando desabar no enovelamento preso por poucos grampos.

Ela dirá que dormia, acordou há pouco e então veio sem muita certeza de encontrá-lo. Mas sabemos que ainda nem se deitou na larga cama com a coberta de crochê, por que mentiu? Para justificar o roupão indiscreto (acordei e vim) ou por delicadeza, por não querer confessar que não consegue dormir se tem um hóspede em vigília na sala? Mas o hóspede não pode saber que ela se preocupou. Essa senhora é só bondade! — ele repetirá no dia seguinte, quando as coisas voltarem aos seus lugares. Tudo vai voltar aos lugares quando todos estiverem acordados.

Mas será que agora tem alguém dormindo? A começar pelas mucamas lá no fundo da casa: já estão de camisola e conversam baixinho, a mais nova trançando a carapinha em trancinhas duras, rindo do patrão que devia estar todo contente, montado na concubina, ouviu essa palavra mais de uma vez, acabou aprendendo, concubina. Montando nela, o carola!

Teúda e manteúda, acrescentaria a sogra no seu quarto de oratório aceso, o olho aceso sondando escuros, silêncios. Mas quem estaria andando aí? Conceição? Conceição, coitada, uma insônia. A velha suspira. Também, dormir, como?! Justo numa noite assim sagrada o marido cisma de procurar a mulata, e o cúmulo. Um bandalho, esse Menezes. Que procure suas distrações fora do lar, muito natural, ele mesmo já disse que no capacho da porta deixava toda a poeira do mundo, a mulata incluída, lógico. Até aí nenhuma novidade, os homens são todos iguais, por que o genro ia ser a exceção? Mas isso de não respeitar nem a Noite de Natal! Credo. Aguça o ouvido direito, o que escuta melhor: mas onde vai a Conceição assim na ponta dos pés? Evita a tábua do corredor (aquela que range) e foi para a sala. Onde deve estar o mocinho, esperando pelo amigo para irem juntos à missa — e esse mocinho? Banho. Missa do Galo, leituras. Bons hábitos. Mas tem qualquer coisa de sonso, não tem? E Conceição dando corda. Ao menos se fosse o escrevente, vá lá, mas um menino?! Uma senhora com o marido ausente se levantar tarde da noite para ir até a sala de visitas prosear com um mocinho. Imprudência. Também, com esse marido…

Casa agitada. Se ao menos pudesse dormir antes de aparecer a dor, artrite mata? Hoje não, meu pai, meu paizinho!

Hoje não, dirá o Menezes a mulher que lhe oferece licor de baunilha, feito pela Madrinha. Está nu, sentado na cama e comendo biscoitos de polvilho que vai tirando da lata, tem paixão por esses biscoitos. Os de Conceição eram mais pesados, ela não tinha mão boa para o forno. Mulher fria de cama não dá boa cozinheira, o avô costumava dizer. Então ficam aquelas tortas indiferentes, sem inspiração. Com Luisinha (Deus a guarde!) foi a mesma coisa, não foi? O sal da vida. Tem pessoas que nascem sem esse sal! — disse ele em voz alta, mas só a última frase Inclinou-se para beijar a rapariga que lhe oferecia a boca, ela estava apenas com uma leve camisa de cambraia, os cabelos crespos, indóceis, presos na nuca por uma fita. Mas escapavam da fila. Cariciosamente ela começou a tirar os farelos de biscoito enredados nos pêlos do peito do homem.

Menos barulho, Menezes, repreendeu-o murmurejante. Mastigue de boca fechada senão a Madrinha acorda!

A Madrinha (outra de sono leve) já está acordada com sua asma e seu medo, tem sempre uma velha que finge que dorme enquanto os outros falam baixinho. É fácil dizer. Durma, queridinha. Mas dormir quando o sono é o irmão da morte?! E esse daí que não pára de comer.

Outro que não vai dar em nada Se ao menos fosse generoso. Mas um forreta. roque-roque. Bom para o fogo, esse Menezes. Ela que se cuide, que desse maio não sai coelho, não. A gente fecha a janela, tranca a porta e adianta? Mana Marina viveu 104 anos, eu não queria tanto… – Morreu dormindo, um perigo dormir. A gente passa o ferrolho e ela entra pelas frestas, pelo vão das telhas feito um sopro. A morte é um sopro, entra até pela fechadura, credo!

Mas foi Conceição que entrou na sala da casa amiga. O andar é lerdo, os pés ligeiramente abertos, num meneio de barco. Ancas fortes.

Ombros estreitos. Os seios em liberdade com uma certa arrogância que lembrava os seios das estátuas das gravuras. Toda a fragilidade na cintura, ele adivinha nas reticências do roupão amplo, confuso, tantos panos, pregas. Bonito babado (aquilo não é um babado?) que lhe contorna o pescoço e vai descendo. Curiosas essas roupas de alcova, ele pensa e sorri fascinado. A frouxidão da conversa. Por que durante o dia as conversas não são assim frouxas? Durante o dia Conceição parece tão objetiva, eficiente. E agora essa inconsistência.

Efêmera nas frases, idéias.

E eterna na essência como a noite.

Tantos anos passados e o jovem que ficou maduro repetiria que não entendeu essa conversa antes da Missa do Galo. Uma conversa sobre banalidades, tecido ocioso com um ou outro ponto mais especial como aquela referência a meninice. Ao casamento. E ao conformismo, era cristã praticante. Sena real seu interesse pelos objetos em redor? Numa das voltas, ela passou a mão no vidro do armário e queixou-se do envelhecimento das coisas, chegou a ter um gesto inconformado, tanta vontade de renovar! Olhou-o mais demoradamente. Ele também se calou penando no quanto era fino aquele pulso, não o imaginara fino assim. A pele suave foi subindo o olhar pelo braço, a ampla manga escorregara ate o cotovelo, tinha o braço apoiado na mesa. O queixo apoiado na mão.

Quando ela recuou para se sentar no canapé — Tão a vontade! — ele viu a ponta da chinela de cetim aparecer na abertura do roupão, uma chinela de cetim preto com bordados, não eram bordados com linha de seda cor de rosa?

Refolhos. reentrâncias. tão caprichoso esse roupão que mostrava e escondia as chinelas dentro do casulo das saias. Não podia ver mas intuía um certo movimento de pés brincando com as chinelas, parecia cruzar e descruzar as pernas. A dona Conceição, imagine! Tão , apaziguada (ou insignificante?) durante o dia, quase invisível no seu jeito de ir e vir pela casa. E agora ocupando todo o espaço, como um navio, a mulher era um navio. Abriu a boca na contemplação: imponente navio branco, preto e vermelho, os lábios brilhantes, de vez em quando ela os umedece com a ponta da língua. A solução e falar, falar. E ela estimula a prosa quando essa prosa vai desfalecendo — mas havia outra coisa a fazer? Havia, sim. E o jovem ouviu com a maior atenção o episódio do colégio de freiras onde ela estudou.

Nunca ele estivera com uma senhora assim na intimidade. Tinha a mãe. Mas mãe não tem esse olhar que se retrai e de repente avança, agrandado. Para diminuir até aquelas fendas que ele quase não alcança, o que o perturba ainda mais porque é a traição que se sente tomado.

Inundado, oh Deus o que é que ela está dizendo agora? Ah, sempre gostei de ler, ele responde num tom alto e ela pede. Mais baixo, por favor, mais baixo! Ele encolhe riso e voz: apenas cochicham, próximos e cúmplices, os hálitos de conspiradores tecendo considerações sobre a necessidade de trocar ou não o pano da cadeira. Ou o papel da parede, O inseto sai de dentro do Y e chega com dificuldade ate o A no alto do livro, uma lupa poderosa revelaria montes e vales na superfície lisa da página. Mas espera, estou me precipitando, vou recomeçar, ainda continuo na rua, bafejando na vidraça da noite antiqüíssima. Sinto mais agudo o desejo de entrar na casa e abrir caixas, envelopes, portas! Queria ser exato e só encontro imprecisão, mas sei que tudo deve ser feito assim mesmo, dentro das regras embutidas no jogo. Há um certo perfume (Jasmim-do- imperador?) que vem de algum quintal Está no ar como estão outras coisas — quais? É noite. Objetos Não identificáveis.

Matérias Perecíveis — estava escrito na carroceria metálica do caminhão de transportes que me ultrapassou na estrada, quando? Agora tem o céu apertado de estrelas com os escuros pelo meio — ocos que procuro preencher com minha verdade que já não sei se é verdadeira, há mais pessoas na casa. E fora dela.

Cada qual com sua explicação para a noite inexplicável. Matéria Imperecível no Bojo do Tempo.

Entro depressa na sala de visitas. Conceição ainda não chegou.

Vou por detrás da cadeira onde o jovem está sentado e me inclino até seu ombro, sei o que está lendo mas quero ver o trecho: mais uma das façanhas dos mosqueteiros em delírio. Pergunto se gostaria de sair galopando com eles. Seu olhar divaga pelo teto. Reage — mas assim tímido? Nem tanto, digo e ele sorri da idéia, agora está se vendo com uma certa ironia: mas o que mais poderia fazer nessa noite senão ouvir e obedecer? Apalermado como esses voluntários de teatro, os ingênuos que se prontificam a ajudar o mágico que manda e desmanda no encantado que não pode mesmo raciocinar em pleno encantamento.

Cabia tomar alguma decisão? É ela quem responde com sua presença, acabou de chegar arrastando o roupão e a indolência. Senta. Levanta, faz perguntas e assim que vem a resposta já está pensando em outra coisa.

É atenta mas instável. Quando fica calada, quando os olhos se reduzem, parece dormir mas está em movimento, as máquinas não param, o navio navega embora transmita ao passageiro aquela quietude de âncora. Um navio com escadas de caracol, porões indevassáveis, caves tão apertadas que nelas não caberia um camundongo.

Uma mariposa entrou de repente, mas por onde? É uma bruxa de asas poeirentas com leve reflexo de prata, ela não tem medo de bruxas, mas de besouros, aqueles besourões pretos, certa vez um se enleou no seu cabelo. Estremece enquanto dá uma volta em torno da mesa. Fala em outra Missa do Galo. Em outras gentes. A voz fica mais leve quando descreve o feitio do vestido do seu primeiro baile, era branco-pérola.

Muda de assunto e lembra que poderia botar uma imagem naquele canto da sala (sugestão do Menezes), mas não fica esquisito? Fala no São Sebastião que está em seu oratório e o moço inclina a cabeça, seteado de dúvidas como a imagem do santo, não é estranho? Está mais interessado nela do que no romance e o romance é atraente. Apara ou deixa cair os assuntos que ela vai atirando meio ao acaso, pequenas bolas de papel que amarfanha e joga, nenhum alvo? Enquanto ele fala, ela observa que suas mãos são bem-feitas, não parecem mãos de um provinciano, tão espirituais, será virgem? Dá uma risada e ele ri sem saber por que está rindo — mas por que também eu não consigo me afastar desta sala?

O canto do galo o faz voltar num sobressalto para o relógio, não está na hora da missa? Tranqüiliza-se, é cedo ainda. Está corado. Ela empalideceu. Ou já estava pálida quando chegou? Contradições, há momentos em que pressinto nele dissimulação, um jovem se fazendo de tolo diante da mulher provocativa. Com olhos que eram castanhos e de repente ficaram pretos, mais uma singularidade dessa noite: não é que a simpática senhora ficou subitamente belíssima? Mas não, ele não dissimula, está em êxtase, atordoado com a descoberta, Bruxa, bruxa!

quer gritar. A hora é de calar. Aspira seu cheiro noturno. Ela se sacode: por acaso já tinha visto esses calendários com o retrato do Sagrado Coração de Jesus? Cada dia arrancado trazia nas costas um trecho dos Salmos. E pensamentos tão poéticos, receitas. Nas costas do dia 20, aprendeu a fazer os pastéis de Santa Clara, não é curioso isso? Acho que quando era mais moça gostava mais de açúcar.

Um cachorro começa a latir desesperado. Ela anda até a janela, espia e na volta passa a ponta do dedo afetuoso na cabeça da estatueta do menino de suspensório, comendo cerejas. Recua, vai por detrás da cadeira onde está o jovem. Inclina-se. Estende a mão no mesmo gesto que teve diante da estatueta e pega o livro, ah! esses romances tão compridos, prefere os de enredo curto.

E os dois de mãos abanando. Fala mais baixo! ela suplica. E o grande relógio empurrando seus ponteiros; quando os ponteiros se juntarem ambos estarão se separando, ela no quarto, ele na igreja — tão rápido tudo, mais uns minutos e o vizinho virá bater na janela. Hora da missa, vamos? Perdidos um para o outro, nunca mais aquela sala.

Aquela noite. Vocês sabem que dentro de alguns minutos será o nunca mais?

Faça com que aconteça alguma coisa! — repito e meu coração está pesado diante desses dois indefesos no tempo, expostos como o Menino Jesus com sua camisolinha de presépio, as mãos abertas, também as mãos deles. O cachorro late, enrouquecido, e ela pergunta se ele gostaria de ter um cachorro. Ou um gato, prefere então um gato? E essa loção que ele passou no cabelo? Bem que ela estava sentindo, o nome? Ele não sabe, comprou na Pharmacia de Mangaratiba, nas vésperas da viagem.

Pena que o perfume não dure. Falam sobre perfumes como se tivessem toda a noite pela frente. E a eternidade, mas o que é isso? o vizinho chamando? Já?! Deve ser afobação dele, não será cedo ainda? Resiste.

Mas de repente ela fica enérgica, está na hora sim, não faça o moço esperar. Ele ainda vacila, olha o relógio, olha a mulher, faz um gesto evasivo na direção da janela, justifica, detesta chegar muito cedo nos lugares. Ela insiste: mesmo saindo imediatamente eles poderão chegar com um ligeiro atraso. Talvez haja no seu tom ou no jeito com que fechou o roupão uma certa impaciência, que se fosse sem demora, não tinha mesmo que ir? Pela última vez ele vislumbrou os bicos acetinados das chinelas. Vai reencontrá-las na igreja, o bordado de fios de seda corde-rosa na estola do padre, lembrança luminosa que se mistura ao roupão com seus engomados e rendas (Miserere nobis!) cobrindo o altar.
Desvia depressa o olhar na lividez do mármore: o mármore está debaixo da renda.

Ele fecha o livro. Ela tranca a porta. Ainda ouve os passos dos dois amigos se afastando rapidamente. Olha em redor. A mariposa sumiu Quando volta ao quarto, pisa na tábua do corredor, aquela que range.

Rangeu, paciência! Agora está desinteressada da mãe e da tábua. No canapé a almofadinha das guirlandas um pouco amassada.

Apago o lampião.

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