Tag Archives: Conto de Lygia Fagundes Telles

Antes do Baile Verde – Conto de Lygia Fagundes Telles

O rancho azul e branco desfilava com seus passistas vestidos à Luís xv e sua porta- estandarte de peruca prateada em forma de pirâmide, os cachos desabados na testa, a cauda do vestido de cetim arrastando-se enxovalhada pelo asfalto. O negro do bumbo fez uma profunda reverência diante das duas mulheres debruçadas na janela e… Read More »

Helga – Conto de Lygia Fagundes Telles

Ela era uma só. Não havia outra e se quisesse compará-la com alguma coisa, seria com os tenros cogumelos dos bosques ou com as manhãs de bicicleta nas estradas impecáveis ou com as primeiras cerejas da primavera. Era uma, una, única, apesar de ter uma só perna, aliás bela como ela toda. Mas é cedo… Read More »

Eu Era Mudo e Só – Conto de Lygia Fagundes Telles

Sentou na minha frente e pôs-se a ler um livro à luz do abajur. Já está preparada para dormir: o macio roupão azul sobre a camisola, a chinela de rosinhas azuis, o frouxo laçarote de fita prendendo os cabelos alourados, a pele tão limpa, tão brilhante, cheirando a sabonete provavelmente azul, tudo tão vago, tão… Read More »

Um Chá Bem Forte e Três Xícaras – Conto de Lygia Fagundes Telles

A borboleta pousou primeiramente na haste de uma folha de roseira que vergou de leve. Em seguida, voou até a rosa e fincou as patas dianteiras na borda das pétalas. Juntou as asas que se colaram palpitantes. Desenrolou a tromba. E inclinando o corpo para a frente, num movimento de seta, afundou a tromba no… Read More »

Apenas um Saxofone – Conto de Lygia Fagundes Telles

Anoiteceu e faz frio. “Merde! voilà l’hiver” é o verso que segundo Xenofonte cabe dizer agora. Aprendi com ele que palavrão em boca de mulher é como lesma em corola de rosa. Sou mulher, logo, só posso dizer palavrão em língua estrangeira, se possível, fazendo parte de um poema. Então as pessoas em redor poderão… Read More »

Meia-Noite em Ponto em Xangai – Conto de Lygia Fagundes Telles

A longa bata de brocado azul caiu-lhe aos pés. Avançou nua em direção ao espelho de moldura de laca vermelha. Girou sobre os calcanhares para se ver de perfil. Levantou o busto. Encolheu o estômago. Olhando ainda para o espelho, como se convidasse a própria imagem a acompanhá-la, mergulhou na banheira. Cerrou os olhos, as… Read More »

Verde Lagarto Amarelo – Conto de Lygia Fagundes Telles

Ele entrou com seu passo macio, sem ruído, não chegava a ser felino: apenas um andar discreto. Polido. – Rodolfo! Onde está você?… Dormindo? — perguntou quando me viu levantar da poltrona e vestir a camisa. Baixou o tom de voz. — Está sozinho? Ele sabe muito bem que estou sozinho, ele sabe que sempre… Read More »

Noturno Amarelo – Lygia Fagundes Telles

Vi as estrelas. Mas não vi a lua, embora sua luminosidade se derramasse pela estrada. Apanhei um pedregulho e fechei-o com força na mão. Por onde andará a lua? perguntei. Fernando arrancou o paletó no auge da impaciência e perguntou com voz esganiçada se eu pretendia ficar a noite inteira ali de estátua, enquanto ele teria que encher o tanque naquela escuridão de merda, porque ninguém lhe passava o raio da lanterna.