Velhos crimes, novo líder – Crônica de Otto Lara Resende

Erudito do supérfluo, é como classifico o José Octavio de Castro Neves. Ele sabe muita coisa boa e útil, mas sabe também o dispensável. Sabe que avião você deve tomar, numa viagem de Maceió a São Petersburgo, para se sentar do lado da sombra e da melhor paisagem, com a garantia de que será bem… Read More »

Aconteceu na Suécia – Crônica de José Carlos Oliveira

O sorriso é, geralmente, muito bem aceito em sociedade. A menos quando não há razão para estar alegre e a pessoa abre um meio sorriso, sardônico, voltairiano. Esse sorriso da inteligência, marca dos espíritos privilegiados, às vezes ofende; quase sempre inquieta. Já o riso é a explosão do sorriso. O sistema nervoso central se descontrola… Read More »

A menina Silvana – Crônica de Rubem Braga

Um camponês velho deu as informações ao sargento, Silvana Martinelli, 10 anos de idade. A menina estava quase inteiramente nua, porque cinco ou seis estilhaços, de uma granada alemã a haviam atingido em várias partes do corpo. Os médicos e os enfermeiros, acostumados a cuidar rudes corpos de homens, inclinavam-se sob a lâmpada para extrair… Read More »

Almoço mineiro – Crônica de Rubem Braga

Éramos dezesseis, incluindo quatro automóveis, uma charrete, três diplomatas, dois jornalistas, um capitão-tenente da Marinha, um tenente-coronel da Força Pública, um empresário do cassino, um prefeito, uma senhora loura e três morenas, dois oficiais de gabinete, uma criança de colo e atra, de fita cor-de-rosa que se fazia acompanhar de uma boneca. Falamos de vários… Read More »

O sobrado da Estrela – Gilberto Freyre

O sobrado chamado da Estrela foi uma das casas mais mal-assombradas do Recife: levou anos fechado porque nele diziam os vizinhos “aparecer visagem” nas próprias varandas. Vultos que chegavam à janela chamando quem passasse pela rua como misteriosas mulheres-damas a atraírem, com psius e sinais de venha-cá, machos indiferentes, para suas camas-de-vento. Luzes que apareciam… Read More »

Quem será esta cigarra que me acorda todos os dias – Machado de Assis

Quem será esta cigarra que me acorda todos os dias neste verão do diabo — quero dizer, de todos os diabos, que eu nunca vi outro que me matasse tanto. Um amigo meu conta-me coisas terríveis do verão de Cuiabá, onde, a certa hora do dia, chega a parar a administração pública. Tudo vai para… Read More »