Do diário de um homem de letras – Artigo de João Ubaldo Ribeiro

Que frase de Proust me ocorreu, enquanto distraidamente fazia a barba? Nenhuma, muito menos um verso de Mallarmé (preciso decorar um urgentemente, sou amigo do poeta Geraldo Carneiro e passo muita vergonha com a erudição dele). Mas aproveito que ainda não amanheceu e taco um verso – ou dois, não me lembro bem – de… Read More »

A aurora – Crônica de Paulo Mendes Campos

A aurora chegou vestida de cor-de-rosa, passou pela vidraça, passou através de minhas pálpebras, acordou meus olhos. Mas não me acordou a alma, que ficou dorme-dormindo, boba e semi-iluminada. Depois ela, a aurora, foi esvoaçar sobre os telhados, e era como se aquilo estivesse acontecendo no passado. Meus olhos ficaram expiando aquela aurora doida que… Read More »

Uma loureira – Conto de Machado de Assis

I Havia grande agitação em casa do comendador Nunes, em certa noite de abril de 1860. Não era comendador o sr. Nicolau Nunes, era apenas oficial da Ordem da Rosa, mas todos lhe davam o título de comendador, e o sr. Nunes não resistia a esta deliciosa falsificação. A princípio reclamou sorrindo contra a liberdade… Read More »

Flor, telefone, moça – Conto de Carlos Drummond de Andrade

Não, não é conto. Sou apenas um sujeito que escuta algumas vezes, que outras não escuta, e vai passando. Naquele dia escutei, certamente porque era a amiga quem falava, e é doce ouvir os amigos, ainda quando não falem, porque amigo tem o dom de se fazer compreender até sem sinais. Até sem olhos. Falava-se… Read More »

O suplício de Tântalo – Conto de Monteiro Lobato

Desde as primeiras horas da manhã, o palácio onde morava Tântalo, rei da Lídia, estava num rebuliço. Não era para menos, pois seu pai, Júpiter, deus dos deuses, estava prestes a chegar para um amigável almoço. Além dele, viriam também seu inseparável filho Mercúrio e Ceres, a de usa da fertilidade. Tântalo estava preocupado. “O… Read More »

O carro da semana santa – Conto de João do Rio

A Elísio de Carvalho. Para nós, vindos de peregrinar pelas igrejas, a luz Auer que iluminava o café era talvez desagradável. Ficáramos todos lívidos, com uma face de orgia. Sob o teto baixo, entre as mesas de mármore lustroso, os criados arrastavam os passos já meio exaustos, e como a sala fosse forrada de espelhos,… Read More »