Os índios de Berlim – Crônica de João Ubaldo Ribeiro

Uma coisa eu aprendi, nesta minha temporada berlinense: só apareço outra vez na Alemanha depois de frequentar um curso sobre a Amazônia e ler pelo menos uma bibliografia básica sobre os índios brasileiros. As coisas aqui podem ficar difíceis para brasileiros como eu, que não entendem nada de Amazônia e de índios. Ao serem informados… Read More »

Batalhas culturais – Crônica de João Ubaldo Ribeiro

Sim estava eu falando sobre a vida difícil que nós, embaixadores culturais, enfrentamos. Continuo convencido de que leituras, palestras e similares não são o veículo adequado para a aproximação cultural e o melhor caminho para ganhar corações e mentes é mesmo a culinária. Minha experiência berlinense, apesar de um ou dois episódios menos brilhantes e… Read More »

Problemas do intercâmbio cultural – Crônica de João Ubaldo Ribeiro

Ainda não consigo crer que os alemães vão espontaneamente a leituras públicas. Não é possível que se chegue do trabalho e, em vez de fazer algo sensato, como tomar um drinque e convidar a vizinha para ouvir uns disquinhos, prefira-se uma leitura. Inconcebível para brasileiros, a não ser sob a mira de uma metralhadora. Na… Read More »

Noiva da morte – Conto de Nelson Rodrigues

Era o único varão numa família de mulheres. E, desde garoto, ouvia dizer: – Alipinho não casa! Nós não deixamos Alipinho casar… O Alipinho era ele. Cresceu num ambiente de absoluta predominância feminina, cercado de mulheres por todos os lados. Foi tiranizado, ferozmente, pela mãe, irmãs, tias e primas. Quase não saía de casa, quase… Read More »

O crime do Storkwinkel – Crônica de João Ubaldo Ribeiro

Não sei quanto aos alemães, mas todo brasileiro tem medo da polícia. Muita gente que é furtada não procura a polícia. A principal razão é que não adianta, pois a polícia brasileira, de modo geral, não resolve nada. (Ninguém resolve nada no Brasil, pensando bem; antigamente, resolvíamos no futebol, mas nem isso mais.) A outra… Read More »

Beijo no telefone – Conto de Nelson Rodrigues

Caiu das nuvens: – Você é casada? E ela: – Não sabia? Põe as mãos na cabeça: – Nem podia imaginar. Mas casada mesmo, no duro? Sorriu, refazendo a pintura: – Casadíssima! Estavam numa sorveteria. Depois do breve lanche, Angelita passara batom nos lábios, Sérgio paga a despesa, ainda impressionado. Levanta-se e sai com a… Read More »