É chato ser brasileiro – Crônica de Nelson Rodrigues

“O povo já não se julga mais um vira-latas. Sim, amigos: — o brasileiro tem de si mesmo uma nova imagem. Ele já se vê na generosa totalidade de suas imensas virtudes pessoais e humanas.” Dizem que o Brasil tem analfabetos demais. E, no entanto, vejam vocês: — a vitória final, no Campeonato do Mundo,… Read More »

O conde e o passarinho – Crônica de Rubem Braga

Acontece que o Conde Matarazzo estava passeando pelo parque. O Conde Matarazzo é um Conde muito velho, que tem muitas fábricas. Tem também muitas honras. Uma delas consiste em uma preciosa medalhinha de ouro que o Conde exibia à lapela, amarrada a uma fitinha. Era uma condecoração (sem trocadilho). Ora, aconteceu também um passarinho. No… Read More »

Descrição da Cidade de Sergipe D’el-Rei – Poema de Gregório de Matos

Três dúzias de casebres remendados, Seis becos, de mentrastos entupidos, Quinze soldados, rotos e despidos, Doze porcos na praça bem criados. Dois conventos, seis frades, três letrados, Um juiz, com bigodes, sem ouvidos, Três presos de piolhos carcomidos, Por comer dois meirinhos esfaimados. As damas com sapatos de baeta, Palmilha de tamanca como frade, Saia… Read More »

Ciao – Crônica de Carlos Drummond de Andrade

Há 64 anos, um adolescente fascinado por papel impresso notou que, no andar térreo do prédio onde morava, um placar exibia a cada manhã a primeira página de um jornal modestíssimo, porém jornal. Não teve dúvida. Entrou e ofereceu os seus serviços ao diretor, que era, sozinho, todo o pessoal da redação. O homem olhou-o,… Read More »

O homem trocado – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem. – Tudo perfeito – diz a enfermeira, sorrindo. – Eu estava com medo desta operação… – Por quê? Não havia risco nenhum. – Comigo, sempre há risco. Minha… Read More »

A literatura de ficção morreu? – Texto de Rubem Fonseca

Muito antes de publicar o meu primeiro livro eu já ouvia dizer que o romance e o conto estavam mortos. Parece que a primeira morte teria sido anunciada ainda em 1880, não obstante, como todos sabem, Emily Dickinson, Tchekov, Proust, Joyce, Kafka, Maupassant, Henry James, o nosso Machado, Eça, Mallarmé, as Bronte, Fernando Pessoa (um… Read More »

Nesta ausência – Poema de Gilka Machado

Nesta ausência que me excita,tenho-te, à minha vontade,numa vontade infinita…Distância, sejas bendita!Bendita sejas, saudade! Teu nome lindo…Ao dizê-loqueimo os lábios, meu amor! O teu nome é um setestrelona noite da minha dor. Nunca digas com firmezaque a mágoa apenas crucia:a saudade é uma tristeza,que nos dá tanta alegria! Passo horas calada e queda,a rever, a… Read More »