Fora de Horas – Conto de Aluísio de Azevedo

Ora! Para que lhes hei de contar isto? Histórias do Norte! Histórias de amor! Cousas que não voltam mais! Era a última vez que eu ia ter com ela, e seria menos uma entrevista de amor do que um encontro de despedida; meus lábios pressentiam já ligeiro travor de lágrimas nos beijos que sonhava pelo … Ler mais

Vícios – Conto de Aluísio de Azevedo

Tarde de inverno. Ouvia-se o relógio palpitar soturnamente ao fundo da longa sala e ouvia-se o crepitar das asas de um inseto que se debatia contra as vidraças de uma janela fechada. A casa, na sua adormecida opulência coberta de pó, tinha um duro e profundo aspecto de tristeza. Dois homens, pai e filho, um … Ler mais

Polítipo – Conto de Aluísio de Azevedo

Suicidou-se anteontem o meu triste amigo Boaventura da Costa. Pobre Boaventura! Jamais o caiporismo encontrou asilo tão cômodo para as suas traiçoeiras manobras como naquele corpinho dele, arqueado e seco, cuja exigüidade física, em contraste com a rara grandeza de sua alma, muita vez me levou a pensar seriamente na injustiça dos céus e na … Ler mais

O Madeireiro – Conto de Aluísio de Azevedo

– Sua ama está em casa, rapariga? – Está, sim, senhor. Tenha a bondade de dizer quem é. – Diga-lhe que é a pessoa que ela espera para jantar. – Ah! Pode subir… Minha ama vem já. Entrei e reconheci a saleta, onde eu dantes fora recebido tantas vezes pela viuvinha do general. Quanta recordação! … Ler mais

Filomena Borges – Conto de Aluísio de Azevedo

I Sabemos que é geral a ansiedade por descobrir o mistério em que se envolve a individualidade conhecida pelo nome que encima estas linhas. De há alguns dias conhecíamos parte do romance – se romance podemos chamar a uma história tristemente verdadeira – de que é heroína, protagonista, vítima, e não sabemos que mais, aquela … Ler mais

A Serpente – Conto de Aluísio de Azevedo

João Brás foi jantar à Santa Teresa com o seu amigo Manuel Fortuna, como costumava fazer invariavelmente todos os domingos. Eram ambos do comércio: João guarda-livros e o outro estabelecido com uma loja de alfaiate. Grisalhando já entre os quarenta e os cinqüenta, não tinham eles todavia vinte anos quando se conheceram; e essa longa … Ler mais

Rendas e Fitas – Conto de Aluísio de Azevedo

– Olá! exclamei eu, vendo saltar do bonde de Botafogo o meu querido Ernesto Branco. Bons ares te tragam! Como vais tu? Mas que diabo de cara tens agora? Estás zangado? – Ora! Não me fales! Não estou zangado; estou aborrecido. Aborrecido com esta vida infernal do Rio de Janeiro; aborrecido com este calor selvagem, … Ler mais

O Impenitente – Conto de Aluísio de Azevedo

Conto-vos o caso como mo contaram. Frei Álvaro era um bom homem e um mau frade. Capaz de todas as virtudes e de todos os atos de devoção, não tinha, todavia, a heróica ciência domar os impulsos de seu voluptuoso temperamento de mestiço e, a despeito dos constantes protestos que fazia para não pecar, pecava … Ler mais

O macaco azul – Conto de Aluisio de Azevedo

Ontem, mexendo nos meus papéis velhos, encontrei a seguinte carta: Caro Senhor. Escrevo estas palavras possuído do maior desespero. Cada vez menos esperança tenho de alcançar o meu sonho dourado. – O seu macaco azul não me sai um instante do pensamento! É horrível! Nem um verso! Do amigo infeliz PAULINO Não parece um disparate … Ler mais

O Touro Negro – Conto de Aluísio de Azevedo

A notícia de uma estrondosa corrida de touros, que se ia dar na velha cidade da Galiza, onde nessa época me achava, assanhou o povo como por encanto, pondo-lhe o ânimo num estado de alegria do qual estava eu bem longe de o supor capaz. Viria como primeiro Espada e chefe da “cuadrilla” o guapo … Ler mais

Das Notas de uma Viúva – conto de Aluísio de Azevedo

“Eu tinha dez meses de viúva e havia seis que Paulo me fazia a corte. Por esse tempo propôs-me ele um passeio ao campo e eu aceitei. A manhã era esplêndida; uma bela manhã de Setembro, cheia de luz e temperada por um calor comunicativo e doce. Cedo metemo-nos num carrinho de vime, leve como … Ler mais