Tag Archives: Arara bêbada

Na pontinha da orelha – Conto de Dalton Trevisan

Nelsinho abriu o portão, equilibrou-se nos tijolos soltos e, diante da porta, conchegado no saco de estopa, onde limpava os pés, deu com o Paxá. Tarde o cachorro descobriu que era ele, havia rolado os três degraus com o pontapé. Velho e doente, nem rosnou, apenas gemeu de dor; tremulo, arrastando a perna, perdeu-se no… Read More »

Contos dos bosques de Curitiba – Dalton Trevisan

NELSINHO encostou a porta, encurralada a moça no canto: – É hoje. Roçou a sombra do lábio, a espinha na asa do nariz. Ela voltou-lhe a face: beijou-a ferozmente na boca. Fechou a porta, empurrando-a com o pé. Certa que iriam ficar nos toques e blandícias, pendurou-se ao seu pescoço. Pousou a mão no peitinho,… Read More »

O herói perdido – Conto de Dalton Trevisan

Essa criatura não me tira os olhos. Coragem da fulaninha, acompanhada como está! Verdade, alguns tipos não ligam. São eles que as empurram nos braços do outro – isso os excita. Acabei o meu caso com a Lili, não sei se sabia. Quero descanso por algum tempo. Não olhe agora. Me comendo com os olhos.… Read More »

Visita à professora – Conto de Dalton Trevisan

Girando o pacote no laço do barbante azul, Nelsinho deteve-se diante do prédio esquálido. Conferiu o endereço no embrulho – o santíssimas mães de Curitiba! Ao longo do corredor sinistro, o bafio do lixo nos cantos. Que dona Alice não estivesse em casa – quatro da tarde, escolhida a hora de propósito – e, limpo… Read More »

A noite da Paixão – Conto de Dalton Trevisan

Nelsinho corria as ruas à caça da última fêmea. Nem uma dona em marcha vagabunda, os bares apagados. Na estreita calçada esbarrou com dois vultos, depressa levou a mão ao bolso. Haviam-no apalpado com dedo indiscreto, não eram ladrões. Voltou- se e lá estavam, gesto lânguido, voz melíflua: – Onde vai, bonitão? Aqueles dois chamariam… Read More »

Debaixo da Ponte Preta – Conto de Dalton Trevisan

Noite de vinte e três de junho, Ritinha da Luz, dezesseis anos, solteira, prenda doméstica, ao sair do emprego, dirigiu-se à casa de sua irmã Julieta, atrás da Ponte Preta. Na linha do trem foi atacada por quatro ou cinco indivíduos, aos quais se reuniram mais dois. Então violada por um de cada vez e… Read More »