O ingênuo Dagoberto – Conto de Alcântara Machado

Diante da porta da loja pararam. Seu Dagoberto carregava o menorzinho. Silvana a maleta das fraldas. Nharinha segurava na mão do Polidoro que segurava na mão do Gaudêncio. Quim tomava conta do pacote de balas. Lázaro Salém veio correndo do balcão e obrigou a família a entrar. Seu Dagoberto queria um paletó de alpaca. — … Ler mais

O revoltado Robespierre – Conto de Alcântara Machado

Todos os dias úteis às dez e meia toma o bonde no Largo de Santa Cecília encrencando com o motorneiro. — Quando a gente levanta o guarda-chuva é para você parar essa joça! Ouviu, sua besta? Gosta de todos aqueles olhares fixos nele. Tira o chapéu. Passa a mão pela cabeleira leonina. Enche as bochechas … Ler mais

Lisetta – Conto de Alcântara Machado

Quando Lisetta subiu no bonde (o condutor ajudou) viu logo o urso. Felpudo, felpudo. E amarelo. Tão engraçadinho. Dona Mariana sentou-se, colocou a filha em pé diante dela. Lisetta começou a namorar o bicho. Pôs o pirulito de abacaxi na boca. Pôs mas não chupou. Olhava o urso. O urso não ligava. Seus olhinhos de … Ler mais

O Filósofo Platão – Conto de Alcântara Machado

Fechou a porta da rua. Deu dois passos. E se lembrou de que havia fechado com uma volta só. Voltou. Deu outra volta. Então se lembrou de que havia esquecido a carta de apresentação para o diretor do Serviço Sanitário de São Paulo. Deu uma volta na chave. Nada. É verdade: deu mais uma. – … Ler mais

O Patriota Washington – Conto de Alcântara Machado

O sol ilumina o Brasil na manhã escandalosa e o doutor Washington Coelho Penteado no rosto varonil. Há trinta e oito anos Deodoro da Fonseca fundou a República sem querer. O doutor pensa bem no acontecimento e grita no ouvido do chofer: – Toca pra Mogi das Cruzes! Minutos antes arrancara da folhinha do EMPÓRIO … Ler mais

A Apaixonada Elena – Conto de Alcântara Machado

– Quem é que me leva hoje no Literário? Ficou esperando a resposta. Dona Maria da Glória fazia uns desenhos na toalha com a ponta do garfo. Achando muita graça na história do Dico. Esses meninos. Mas o melhor ainda não tinha sido contado: a negra perdeu a paciência e meteu a mão na cara … Ler mais

O Monstro de Rodas – Conto de Alcântara Machado

O Nino apareceu na porta. Teve um arrepio. Levantou a gola do paletó. – Ei, Pepino! Escuta só o frio! Na sala discutiam agora a hora do enterro. A Aída acha- va que de tarde ficava melhor. Era mais bonito. Com o filho dormindo no colo dona Mariângela achava também. A fumaça do cachimbo do … Ler mais

Amor e Sangue – Conto de Alcântara Machado

Sua impressão: a rua é que andava, não ele. Passou entre o verdureiro de grandes bigodes e a mulher de cabelo despenteado. – Vá roubar no inferno, Seu Corrado! Vá sofrer no inferno, Seu Nicolino! Foi o que ele ouviu de si mesmo. – Pronto! Fica por quatrocentão. – Mas é tomate podre, Seu Corrado! … Ler mais

Carmela – Conto de Alcântara Machado

Dezoito horas e meia. Nem mais um minuto porque a madama respeita as horas de trabalho. Carmela sai da oficina. Bianca vem ao seu lado. A Rua Barão de Itapetininga é um depósito sarapintado de automóveis gritadores. As casas de modas (AO CHIC PARISIENSE, SÃO PAULO-PARIS, PARIS ELEGANTE) despejam nas calçadas as costureirinhas que riem, … Ler mais

Gaetaninho – Conto de Alcântara Machado

“- Xi, Gaetaninho, como é bom! Gaetaninho ficou banzando bem no meio da rua. O Ford quase o derrubou e ele não viu o Ford. O carroceiro disse um palavrão e ele não ouviu o palavrão. – Eh! Gaetaninho Vem pra dentro. Grito materno sim : até filho surdo escuta. Virou o rosto tão feio … Ler mais