Chaves da vaguidão – Crônica de Fernando Sabino

Era um bar da moda naquele tempo em Copacabana e eu tomava meu uísque em companhia de uma amiga. O garçom que nos servia, meu velho conhecido, a horas tantas, se aproximou: — Não leve a mal eu sair agora, que está na minha hora, mas o meu colega ali continuará atendendo o senhor. Ele … Ler mais

Os abismos do esquecimento – Crônica de Fernando Sabino

A conversa corria amena naquela casa, enquanto os três casais tomavam um aperitivo, aguardando o jantar. Foi quando um dos convidados pediu silêncio e comunicou que iria contar um caso sensacional. Exatamente assim: — Atenção todo mundo, calem a boca que eu vou contar um caso sensacional. Todo mundo se calou. Ele começou o seu … Ler mais

Manobras do esquadrão – Crônica de Fernando Sabino

O esquadrão de Cavalaria estava acampado junto ao rio das Mortes. Era hora do rancho e já nos muníamos de nossos pratos de folha, quando foi dado o alarma: — Atenção! Bombardeiro inimigo! Tínhamos camuflado as barracas com ramos de árvore. Os cavalos estavam… Onde estavam mesmo os cavalos? Agora me lembro, não havia cavalos, … Ler mais

A minha salamandra – Crônica de Fernando Sabino

Certa vez, escrevendo uma novela, precisei saber se uma salamandra tinha quatro ou seis pernas. Já não me lembro em que episódio novelesco pretendia envolver as pernas da minha salamandra, mas a verdade é que precisava saber “e não fiquei sabendo. Que sei eu a respeito de minhas próprias pernas”, pensava então, deixando que elas … Ler mais

De mestre a aluno – Crônica de Fernando Sabino

A cada manhã eu quero renascer, eu quero refazer tudo, desaprender tudo, recomeçar a aprender tudo de novo. Eu queria olhar o mundo com os olhos lavados de pureza e de inocência como um menino. Fernando Sabino Aprender e reaprender a cada dia, com um novo olhar, de espanto e de crítica. Nada para Fernando … Ler mais

Corro risco correndo – Crônica de Fernando Sabino

E já que todo mundo está fazendo cooper, resolvo fazer também. Escolho o calçadão de Ipanema, um quilômetro para lá e outro para cá – nem mais um metro. E lá vou eu, em passo estugado, numa marcha batida que me faz lembrar o meu tempo de escoteiro. Devo dizer que antes resolvi munir-me de … Ler mais

Biscoitos e pirâmides – Crônica de Fernando Sabino

Um dia, pouco antes de sua morte, Guimarães Rosa me telefonou para conversar, como acontecia de vez em quando, e bisbilhotou: – Que é que você está fazendo? Contei-lhe que estava no momento tentando transformar um conto numa pequena peça de teatro. O grande romancista, conforme já contei mais de uma vez e outros por … Ler mais

De mel a pior – Crônica de Fernando Sabino

– Qual é a primeira pessoa do presente do indicativo do verbo adequar? – pergunta-me ele ao telefone. – Nós adequamos – respondo com segurança. – Primeira do singular – insiste ele. – Espera lá, deixe ver. Com essa você me pegou. E arrisco, vacilante: – Eu adéquo? – Não, senhor. – Eu adeqúo? Não … Ler mais

Retrato do nadador quando jovem – Crônica de Fernando Sabino

O carro dobra a esquina e me vejo perdido na confusão de sempre: em frente ao cinema Veneza, os que vão para a esquerda estão à direita e os que vão para a direita estão à esquerda. Dou por mim entrando no posto de gasolina junto à piscina do Botafogo. – Quantos litros? Não, não … Ler mais

Vinte penosos anos depois – Crônica de Fernando Sabino

Uma tarde de maio de 1944 um jovem de vinte anos aguardava sua noiva numa confeitaria da moda na Cinelândia. Ela telefonara para o seu novo emprego, marcando um encontro por motivo da maior importância, que lhe diria pessoalmente. Que poderia ser? Ele fazia mil conjecturas enquanto esperava, desistindo do sorvete que preferiria tomar, em … Ler mais