Tag Archives: A vida como ela é

A esbofeteada – Conto de Nelson Rodrigues

Virou-se para as coleguinhas: — Como meu namorado, eu confesso francamente: nunca vi! Tem um gênio! Que gênio! Indagaram: — Feroz? E Ismênia: — Se é feroz? Puxa! Precisa uns dez para segurar! — Olha para os lados e baixa a voz: — Vocês sabem o que é que ele fez comigo? Não sabem? —… Read More »

Ciumento demais – Conto de Nelson Rodrigues

Levou o marido até a porta. Ainda esperou que ele, num adeus de dedos, dobrasse a esquina. E então, no seu quimono rosa, entrou no gabinete, trancou-se e ligou o telefone. Do outro lado, atende uma voz masculina. Lúcia ri, muito doce: — Sou eu. E a voz: — Tu? Começou assim o diálogo amorosíssimo.… Read More »

O marido silencioso – Nelson Rodrigues

Vinte e quatro horas antes do casamento, d. Eunice viu a tristeza da filha e estranhou: — Que é isso, minha filha? Maria Lúcia quis disfarçar: — Nada, mamãe, nada. Por quê? E d. Eunice: — Estou achando você meio assim, esquisita. Houve alguma coisa entre vocês, houve? Maria Lúcia ri: — Ora, mamãe! Mas… Read More »

A mulher das bofetadas – Conto de Nelson Rodrigues

Chegou atrasado no emprego. Tirava o paletó, quando o Carvalhinho veio avisar: — Olha, telefonaram pra ti. — Homem ou mulher? — Mulher. — Deixou recado? — Não. Disse que telefonava depois. Arregaçando as mangas, bufou: — OK! OK! Uns dez minutos depois, estava pondo em ordem uns papéis, quando o telefone bate novamente. O… Read More »

Um Caso Perdido – Crônica de Nelson Rodrigues

Esse sujeito não presta! É um bestalhão! Um conversa-fiada! Talvez fosse isso e muito mais. Para começar não trabalha­va, nem queria nada com o trabalho. Além disso, bebia, jogava, vivia metido com desclassificados de ambos os sexos, em pago­des espetaculares. Apontava-se, mesmo, uma fulana, de péssimos antecedentes, que, segundo se dizia, o sustentava. Os parentes de Edgardina tentaram dissuadi-la da paixão inconveniente e es­candalosa: Homem é o que não falta. Escolhe outro, escolhe um que valha a pena.

O Grande Viúvo – Conto de Nelson Rodrigues

Na volta do cemitério, ele falou para a família: — Bem. Quero que vocês saibam o seguinte: — minha mu­lher morreu e eu também vou morrer. Houve em torno um espanto mudo. Os parentes entreolharam-se. O pai do viúvo ergueu-se: — Calma, meu filho, calma! Jair virou-se, violento: — Calma porque a mulher é minha… Read More »

Escorpião de Banheiro – Crônica de Nelson Rodrigues

Viviam como cão e gato. E eram brigas diárias e tremen­das. Numa das vezes, foi até interessante: — Belchior deu um murro, de mão fechada, na testa de Elvira. A pequena virou por cima das cadeiras. Ergueu-se, ainda vesga da pancada e da que­da. Mas não teve dúvidas maiores: — apanhou o aparelho de rádio… Read More »

A mulher das bofetadas – Crônica de Nelson Rodrigues

Chegou atrasado no emprego. Tirava o paletó, quando o Carvalhinho veio avisar: — Olha, telefonaram pra ti. — Homem ou mulher? — Mulher. — Deixou recado? — Não. Disse que telefonava depois. Arregaçando as mangas, bufou: — ok! ok! Uns dez minutos depois, estava pondo em ordem uns papéis, quando o telefone bate novamente. O… Read More »